Raça Senepol

O Senepol surgiu da necessidade de obter um gado rústico, resistente a doenças e acostumado a condições extremas mas que conseguisse produção satisfatória de carne e leite. Esse foi o principal motivador para Bromlay Nelthropp em 1918 introduzir touros da raça Red Poll, originários da Inglaterra, no rebanho puro de N’Dama de seu pai Henry C. Nelthropp, na ilha de Saint Croix (Ilhas Virgens).

STCroix_4_Fonte worldatlas

O gado N’Dama, vindo do Senegal, foi importado para a ilha de Saint Croix nos anos 1.800, principalmente por apresentar importantes características para a criação de gado na ilha caribenha: tolerância ao calor, resistência a insetos e parasitas, além de alta capacidade de conversão alimentar. Henry C. Nelthropp mantinha um rebanho de 250 cabeças puro sangue de N’Dama, sendo o maior criador da região.

NDAMA_6_Fonte ILRI

O gado Red Poll, vindo da Inglaterra, foi formado pelo cruzamento do gado do condado de Norfolk (chifres longos, pelagem vermelha e alta produção de carne) com o gado do condado de Suffolk (estatura pequena, mocho e com alta produção leiteira). Isso deu ao Red Poll uma estrutura mediana, com ótima conformação, caráter mocho, dócil e com dupla aptidão (produção de carne e leite).

REDPOLL_3_Fonte RedPollUSA

Ao longo dos anos, foram feitas várias tentativas de cruzamento entre diversas raças, visando melhorar a produção de carne e leite dos animais criados em condições extremas. Após a introdução do Red Poll por Bromlay em 1918, os animais cruzados apresentaram o que Bromlay queria: caráter mocho, docilidade, maior fertilidade, alta habilidade materna, além das características típicas do N’Dama: rusticidade, resistência a parasitas, pêlos curtos e alta conversão alimentar. Surgia o Senepol (“Senegal” + “Red Poll”).

Origem_2_Modificado_Fonte senepolnobrasil

Nos anos seguintes os animais cruzados passaram por uma rígida seleção interna, em que somente os melhores machos e fêmeas eram mantidos no rebanho, enquanto os demais eram direcionados ao abate para a subsistência da ilha. A seleção era feita visando melhorar quatro características básicas: caráter mocho, docilidade, tolerância ao calor e conformidade racial (cor vermelha, precocidade e boa conformação de carcaça).

Após aproximadamente 50 anos de seleção, o rebanho original de Nelthropp foi disperso em quatro criatórios principais, mas que mantiveram o gado fechado e a mesma postura de selecionar os melhores indivíduos. Além disso, ao longo dessa trajetória foram mantidos registros e informações sobre os animais, possibilitando a organização da base de dados e a criação do sistema de registro da raça pela associação dos criadores.

Além da rigidez na seleção genética, outro fator que contribuiu muito para a formação da raça Senepol foi permanecer distante das influências e tendências nas raças puras no restante do mundo. Nessa época foram feitas diversas tentativas de cruzamento para formação de indivíduos superprodutores, que ao final acabavam produzindo animais pequenos e com muita gordura, ou exemplares grandes, tardios e improdutivos. O Senepol permaneceu isolado dessa realidade.

A partir de 1976 foram iniciadas diversas pesquisas com a raça através do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e da Universidade das Ilhas Virgens, e já em 1977 foi feita a primeira importação para os EUA, com o transporte aérea de 22 animais. Têm início a partir daí o rebanho americano e a formação da SCBA – Senepol Cattle Breeders Association, que desde então registra e mantém os dados da raça em 21 estados americanos e diversos outros países.

Em meados dos anos 90 foram feitas as primeiras importações de doses de sêmen de Senepol para o Brasil, sendo que a partir de 2000 vieram os primeiros animais importados dos EUA e de Saint Croix. Desde então o rebanho brasileiro vem se desenvolvendo de forma rápida e consistente, colocando-se entre os principais rebanhos de Senepol no mundo. Atualmente, o rebanho brasileiro está nas mãos de mais de 250 criadores da raça, com mais de 35.000 animais puros.